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Tuesday, 23 October 2007

Tojeira: uma pista para ultra-ligeiros

Mais um sábado, em que a convite de um amigo da causa do Ar e detentor de licença de piloto de ULM, fui novamente até ao campo de voo de Benavente para efectuar uma navegação a bordo de um Sky Ranger. O destino, a pista da Tojeira que para a maioria dos pilotos da aviação ligeira é desconhecida.


A meteorologia não podia estar mais favorável para um voo tranquilo a bordo do Sky Ranger. Após a habitual inspecção à aeronave partimos em direcção ao Carregado, junto da nova ponte da Lezíria, para depois rumarmos via a zona do Sobral de Monte Agraço até à Ericeira onde começa a foto reportagem deste relato.

Zona da Ericeira e Foz do Lizandro com o cabo da Roca em pano de fundo


Ericeira - Hotel Vila Galé

Foz do Lizandro

Foz do Lizandro

A poucas milhas da Ericeira tempo para procurar a pista da Tojeira. Apesar do planeamento cuidado de mais esta missão, a pista não é fácil de encontrar. Mesmo depois de avistada, é bastante simples de se perder de vista, já que é extremamente confundível com o terreno circundante.

Final longa da pista da Tojeira: é de facto dificil localizar esta pista


Pista da Tojeira à vista: ou talvez não :)

Agora sim pista assegurada

Cabeceira da pista 35 (apesar de me ter parecido mais 33 ou 34)

Após a excelente aterragem na pista da Tojeira tempo para ficar a conhecer o local e esticar as pernas.

Cmdte. J. Oliveira

Co-piloto de serviço

WC da Tojeira

Pista da Tojeira

No regresso a rota foi ligeiramente alterada de forma a permitir a passagem por Mafra para realizar algumas fotos para juntar à colecção de fotografia tirada dos céus de Portugal.

Mafra

Convento de Mafra

Apesar de não nos ter sido autorizada a rota directa de Mafra para Benavente, visto que a mesma iria interferir com as descolagens do aeroporto da Portela, rumámos ligeiramente para nordeste em direcção novamente ao Carregado, para depois prosseguir para o nosso destino final: Benavente.

Rio Tejo e a ponte de Vila Franca

Central do Carregado e a nova ponte da Lezíria


De regresso a Benavente

Após um excelente almoço com é apanágio do restaurante localizado no campo de voo de Benavente, tempo ainda para o inesperado: um convite para voar no "Ferrari" dos ULMs: o espantoso Dynamic WT9.

Um ULM de ultima geração com todos os confortos de um topo de gama. Na companhia de um instrutor bastante experiente foi possível efectuar um voo de 30 minutos (que mais pareceram 5 minutos) a bordo desta aeronave de cortar a respiração. Visto estar com as mãos muito ocupadas, não há fotos para partilhar :)

Foi possível experimentar o taxiar o Dynamic no sólo, efectuar a descolagem e sentir o avião, através de algumas manobras básicas.

Mas o melhor estava para vir ... Com o intuito de demonstrar as capacidades deste Fórmula 1 dos céus, o piloto instrutor brindou-me com diversas manobras, como lazy eights, chandelles e uma passagem baixa sobre a pista a mais de 230 km/h. Voamos inclusivamente asa com asa com um QuickSilver que se encontrava no circuito.


Este ULM de trem retráctil, passo variável e glass cockpit é de facto um magnifica máquina voadora e na qual tive o privilégio de voar graças ao excelente espirito que se vive em Benavente.

Mais um sábado bem passado!

Sunday, 14 October 2007

Etapa 4: Fernando de Noronha - Recife

A quarta etapa desta travessia, apesar de percorrer uma curta distância em comparação com as anteriores, é sem dúvida a mais emblemática desta viagem. Constitui a chegada ao Brasil continental cumprindo o principal objectivo desta viagem: a travessia aérea do Atlântico Sul.

A ligação entre o arquipélago de Fernando de Noronha e Recife, no estado de Pernambuco, percorre as ultimas 296 milhas náuticas sobre o oceano Atlântico.

Volta Sacadura a informar o Ministro da Marinha que deseja continuar a viagem e que o F 17 serve para tal efeito (era o último dos aviões recentemente adquiridos, disponível na Aviação Naval). Este avião é montado e segue a bordo do cruzador "Carvalho Araújo". Quando chega a Fernando Noronha o avião é logo posto na água e experimentado. Sacadura decide completar a viagem, efectuando de imediato a etapa Fernando Noronha – Recife (300 milhas e 4 horas e meio de voo) no dia 5 de Junho de 1922.

Sacadura descreve no seu relatório o momento da descolagem para esta etapa de forma emocionada, onde vibra a sua alma de marinheiro: "Momento solene e comovedor esse!! Sentia-se bem que a marujada nos acompanhava de alma e coração, que em nós depositava a esperança de que déssemos maior brilho a essa Marinha a que todos nós pertencíamos!!!".

in Revista da Armada, Maio de 2006

ROTA

Computed route from FERNANDO DE NORONHA (SBFN, SB) to GUARARAPES GILBERTO FREYRE INTSB (SBRF, SB): 4 fixes, 296.7 nautical miles

SBFN
DCT ESGUM B623 ISADO DCT SBRF


Relato da 4ª Etapa

Fernando de Noronha, 14 de Outubro de 2007 09:00 (zulu)

Numa manhã de temperatura amena de Outubro, com poucas nuvens nos céus do Arquipélago de Fernando de Noronha, preparámos o voo para uma partida madrugadora em direcção à capital do estado de Pernambuco.

As condições meteorológicas à saída de Fernando de Noronha foram bastante favoráveis:

SBFN 140900Z 18010KT 9999 SCT017 SCT090 26/22 Q1013

O motor foi colocado em marcha às 9:25z e após o habitual percorrer da checklist o Money Bravo elevou-se nos céus às 9:35z em direcção a Recife.









Em rota encontrámos um manto de nuvens que cobria o leito do Oceano, impedindo o vislumbrar do Atlântico durante uma boa parte da viagem.



Mais próximo da costa o manto de núvens teimou em ficar, fazendo com que o avistamento de "Terras de Vera Cruz" não fosse possível antes de iniciar a descida para Recife.







À chegada a Recife um dia com muitas nuvens e uma temperatura amena:

SBRF 141100Z 13009KT 9999 SCT022 26/21 Q1014


A aproximação ILS à pista 18 do aeroporto de Guararapes decorreu normalmente e a aterragem suave na pista ocorreu precisamente 1:55 após a descolagem de Fernando de Noronha, percorrendo 296 milhas naúticas do percurso. A duração desta etapa de calços a calços foi de 2 horas e 11 minutos.















Seguem-se as etapas pelo litoral Brasileiro, sendo que o grande objectivo desta viagem foi atingido: a travessia do Atlântico Sul foi conseguida!